A Microsoft e o grande paradoxo da tecnologia

Mão segurando celular no fundo escuro.

Quando sua tecnologia muda o mundo, você tem a responsabilidade de ajudar a lidar com o mundo que ajudou a criar”. A frase é do presidente da Microsoft, Brad Smith, e está no livro Tools and Weapons: The Promise and the Peril of the Digital Age (Ferramentas e armas: as promessas e o perigo da era digital)escrito por ele e por Carol Ann Browne, diretora sênior de relações externas e comunicações executivas da Microsoft.

O livro é uma cobrança explícita à responsabilidade das empresas de tecnologia e governos do mundo de endereçar o paradoxo das tecnologias disruptivas: podem mudar o mundo para o bem, mas invariavelmente têm sido transformadas em armas e ferramentas de vigilância e opressão. E para isso advoga que as empresas de tecnologia têm obrigação de assumir sua parte nesse “freio de arrumação tecnológico”.

Mas ele não facilita para os governos. Recentemente, por conta dos protestos dos funcionários da Microsoft contra a venda de tecnologia de reconhecimento facial da companhia para o temido ICE (U.S. Department of Homeland Security’s Immigration and Customs Enforcement), Smith escreveu um texto no blog Microsoft on the Issues no qual cobra que o governo faça sua parte no uso ético da tecnologia ao invés de deixar para as empresas do setor a tarefa de definir o que pode ou o que não pode ser usado.

O livro traz o espírito daquele texto, como lembra Harry McCracken, editor de tecnologia da Fast Company, e não é definitivamente uma carta de amor à tecnologia. Smith e Browne usam dados históricos de outras grandes revoluções tecnológicas globais como forma de comparar os impactos na humanidade e demonstrar que, desta vez, o estrago, ou a oportunidade, são imensamente maiores e mais velozes do que qualquer outra mudança já experimentada pela sociedade.

“As empresas que criam tecnologia devem aceitar maior responsabilidade pelo futuro, e os governos precisarão regular a tecnologia, movendo-se mais rapidamente e acompanhando o ritmo acelerado da inovação”.

O presidente da Microsoft concedeu uma entrevista ao The New York Times sobre o livro na qual fala sobre as lições que a empresa aprendeu na década de 90 quando enfrentou o escrutínio do governo norte-americano – e pagou o preço – por conta do monopólio do Windows. E aproveita para dar um conselho às novas gigantes do século 21 – Google, Facebook e Amazon. Grandes confrontos com o governo duram muito tempo, “e uma vez que você entra na mira é muito difícil sair“.

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Silvia Bassi

Silvia Bassi é publisher da The Shift, a plataforma de jornalismo de dados insights-as-a-service criada para cobrir o contexto da ruptura. É jornalista, especializada em tecnologia e internet, com 33 anos de experiência em conteúdo, criação de marcas editoriais e desenvolvimento de estratégias de negócio e monetização de audiências para empresas de mídia multiplataforma.



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